Controladoria e Governança Corporativa: o que é preciso saber

Controladoria e Governança Corporativa o que é preciso saber
Controladoria e Governança Corporativa o que é preciso saber

Controladoria e governança corporativa se complementam na organização das informações, no acompanhamento dos resultados e na qualidade das decisões empresariais. Cada uma, porém, tem uma função própria.

A controladoria apoia o planejamento e a análise do desempenho. A governança estabelece como a organização é dirigida, monitorada e responsabilizada por suas decisões.

Essa relação aparece em situações concretas: aprovar um investimento, acompanhar o orçamento, avaliar riscos ou explicar aos sócios por que o resultado ficou abaixo do esperado. Para que essas decisões sejam bem fundamentadas, a empresa precisa de informações consistentes e responsabilidades definidas.

Qual é a diferença entre controladoria e governança corporativa?

O papel da controladoria

A controladoria reúne e analisa informações contábeis, financeiras e operacionais para apoiar a gestão. Seu trabalho pode envolver orçamento, acompanhamento de custos, projeções, indicadores e análise das diferenças entre o planejado e o realizado.

Ela ajuda a responder perguntas como: quais atividades contribuem para o resultado? Por que determinada despesa aumentou? O crescimento das receitas está sendo acompanhado pela geração de caixa?

As atribuições variam conforme a estrutura da empresa, mas o suporte ao planejamento e à decisão é uma característica central da função.

O papel da governança corporativa

A governança corporativa organiza as relações, as responsabilidades e os processos pelos quais a empresa é dirigida e monitorada. Envolve a atuação de sócios, administradores e demais agentes, considerando os interesses das partes relacionadas à organização.

Na definição do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, o IBGC, esse sistema reúne princípios, regras, estruturas e processos voltados à geração de valor sustentável. Portanto, sua abrangência inclui aspectos que vão além do desempenho financeiro.

A controladoria fornece informações e análises para esse sistema. As decisões e aprovações cabem às pessoas ou aos órgãos competentes, conforme suas atribuições.

Como controladoria e governança se relacionam na prática?

Um relatório tem mais utilidade quando existe clareza sobre quem deve analisá-lo, decidir e acompanhar as providências.

A relação entre as duas frentes pode ser observada nas seguintes rotinas:

Rotina Contribuição da controladoria Relação com a governança
Planejamento orçamentário Consolidar premissas, projeções e necessidades de recursos Apoiar a discussão e a aprovação pelas instâncias competentes
Acompanhamento de resultados Comparar o realizado com o orçamento e explicar diferenças Permitir o monitoramento das decisões e dos compromissos assumidos
Avaliação de investimentos Preparar cenários e analisar impactos econômicos e financeiros Subsidiar a deliberação, respeitando responsabilidades e limites de aprovação
Controles internos Apoiar a definição e o acompanhamento de controles Dar visibilidade a falhas e encaminhar providências aos responsáveis
Prestação de contas Organizar informações e demonstrativos consistentes Sustentar explicações sobre decisões, resultados e medidas adotadas

Esses exemplos devem ser adaptados ao porte, à complexidade e à estrutura de cada organização.

Boas práticas de controladoria e governança corporativa

O IBGC apresenta cinco princípios de governança: integridade, transparência, equidade, responsabilização e sustentabilidade. Eles orientam a conduta dos agentes e a forma de organizar as relações e decisões empresariais.

Na rotina, essa orientação pode se traduzir em práticas como:

  • Definir quem prepara, confere, aprova e acompanha cada informação.
  • Apresentar resultados favoráveis e desfavoráveis com os mesmos critérios.
  • Identificar conflitos de interesses nas decisões.
  • Registrar os fundamentos das deliberações relevantes.
  • Acompanhar as consequências das decisões para a continuidade do negócio.

A prestação de contas exige tanto números compreensíveis quanto explicações sobre o que foi feito, por quem e com quais resultados.

Plano estratégico e orçamentário: como conectar objetivos e recursos?

O planejamento estratégico estabelece prioridades e objetivos para o negócio. O orçamento traduz essas escolhas em projeções de receitas, despesas, investimentos e necessidades financeiras.

Para que os dois estejam conectados, as premissas devem ser explícitas. Uma projeção de crescimento, por exemplo, precisa considerar capacidade de atendimento, equipe, custos e prazo de recebimento.

A controladoria pode organizar essas informações e preparar cenários. A administração avalia as alternativas e conduz as decisões de acordo com suas competências.

Após a aprovação, o orçamento passa a ser uma referência para acompanhamento. Quando surgem diferenças, é necessário investigar suas causas: mudança de preços, volume de vendas, produtividade, custos ou condições de mercado.

Revisar uma projeção também exige registrar o motivo da alteração, preservando a comparação com o planejamento original.

Quais indicadores ajudam a acompanhar a empresa?

A seleção dos indicadores deve partir das decisões que precisam ser tomadas.

Entre as informações que podem compor o acompanhamento estão:

  • Resultado e margens: para compreender a relação entre receitas, custos e despesas.
  • Fluxo de caixa: para acompanhar entradas, saídas e compromissos financeiros.
  • Contas a receber: para avaliar vencimentos, atrasos e concentração de recebimentos.
  • Orçado e realizado: para identificar diferenças e investigar suas causas.
  • Indicadores operacionais: como produtividade, capacidade utilizada e retrabalho, quando pertinentes.

Cada indicador precisa ter definição, fonte, responsável e periodicidade. Também é importante manter critérios comparáveis entre os períodos.

Os relatórios de suporte à gestão podem reunir essas informações e facilitar sua discussão com os responsáveis.

Controles internos: como melhorar a confiabilidade das informações?

Os controles internos apoiam a execução dos processos e a qualidade das informações utilizadas pela empresa. A referência do COSO para controles internos destaca sua contribuição para a confiança nos dados e para objetivos que abrangem operações, informações e conformidade.

Na prática, algumas medidas podem incluir:

  • Conciliação entre registros contábeis, extratos e controles financeiros.
  • Conferência de documentos antes da aprovação de pagamentos.
  • Separação entre solicitação, aprovação e execução, quando viável.
  • Revisão dos acessos aos sistemas.
  • Registro e acompanhamento das pendências identificadas.

Em estruturas menores, a concentração de funções exige avaliar formas adicionais de revisão. A definição dos controles deve considerar os riscos e os recursos disponíveis.

Qual é o papel do Balanced Scorecard?

O Balanced Scorecard, ou BSC, é uma ferramenta que relaciona objetivos estratégicos a indicadores, metas e iniciativas. Sua abordagem combina perspectivas financeiras, de clientes, de processos internos e de aprendizado e crescimento.

Ele pode ajudar a comunicar prioridades e conectar o trabalho das áreas à estratégia. Sua aplicação deve considerar quais objetivos precisam ser acompanhados e como cada indicador contribuirá para isso.

O BSC integra o conjunto de ferramentas de gestão. A definição de responsabilidades, os controles e a prestação de contas continuam necessários para que as informações resultem em ações.

Exemplo prático: receita maior e caixa pressionado

Considere uma situação hipotética: a empresa aumenta o faturamento, mas encontra dificuldade para pagar seus compromissos.

A controladoria pode investigar prazos de recebimento, atrasos, custos e necessidade de capital de giro. A análise pode mostrar, por exemplo, que as vendas cresceram com parcelamentos mais longos, enquanto os fornecedores mantiveram vencimentos curtos.

Com essas informações, os responsáveis avaliam alternativas, como revisar condições comerciais ou renegociar compromissos.

A decisão deve indicar quem executará as medidas, quando os efeitos serão avaliados e como o resultado será apresentado. Assim, análise, deliberação e acompanhamento passam a formar uma rotina conectada.

Como começar a organizar essas práticas?

Um ponto de partida é identificar as decisões recorrentes e verificar quais informações são necessárias para sustentá-las.

Depois, a empresa pode estruturar:

  1. Um calendário de fechamento e apresentação dos resultados.
  2. Critérios consistentes para preparar os relatórios.
  3. Responsabilidades pela análise e pelas aprovações.
  4. Registro das decisões e dos encaminhamentos.
  5. Acompanhamento das providências e de seus efeitos.

O apoio de uma consultoria empresarial pode contribuir para revisar processos e organizar essas rotinas, conforme o escopo definido.

Perguntas frequentes

Controladoria e governança corporativa são a mesma coisa?

São funções complementares. A controladoria apoia a gestão com informações, análises e planejamento. A governança organiza a direção, o monitoramento e a responsabilização na empresa.

A controladoria substitui a administração nas decisões?

Seu papel é apoiar a decisão. As atribuições de administradores, sócios e demais instâncias precisam permanecer claras.

Empresas menores podem adotar essas práticas?

Podem desenvolver rotinas proporcionais à sua estrutura, como definir aprovações, acompanhar resultados e registrar decisões. O desenho deve considerar suas características e exigências aplicáveis.

Informação e responsabilidade para conduzir o negócio

Controladoria e governança corporativa se conectam quando informações consistentes chegam às pessoas responsáveis e são utilizadas para decidir, acompanhar e prestar contas.

Para avaliar a organização dos controles e das informações de gestão da sua empresa, entre em contato com a Control Company.

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